China mobiliza atenções no BRICS

As atenções no primeiro dia de eventos oficiais para a Cúpula dos BRICS neste ano, em Brasília, foram voltadas à China, país que, segundo o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, é parte do futuro do Brasil. Xi Jinping foi o primeiro líder a ser recebido para os encontros bilaterais no Palácio do Planalto. Foi ocasião para nova troca de afagos, a exemplo do que já havia ocorrido em outubro, em Beijing, durante visita do brasileiro à cidade.

Os dois presidentes assinaram documentos que envolvem acordo de extradição, trocas culturais por meio do estabelecimento de um canal por assinatura com produções sino-brasileiras, para a ampliação de acesso à Medicina Tradicional Chinesa no Brasil (hoje, algumas terapias já são oferecidas pelo SUS) e um acordo inédito envolvendo o comércio de frutas. A China poderá vender peras ao Brasil, que garantiu o acesso ao melão no mercado chinês.

Na cerimônia de Assinatura de Atos, o Ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, e a Ministra da Agricultura brasileira, Tereza Cristina, são observados pelos presidentes chinês e brasileiro

Comércio, aliás, foi um dos grandes temas do dia. O ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, anunciou que autoridades brasileiras estudam com a China um acordo de livre comércio. Ainda sem detalhes, o tema despertou atenções, reações e manchetes ao longo do dia. Na prática, nada se sabe, apenas o fato de a corrente comercial hoje entre os dois países já supera os US$ 100 bilhões – substancialmente mais do que os cerca de US$ 1 bilhão do início do século – e que o Brasil ainda tem uma pauta centrada em commodities. Bolsonaro chegou a dizer que quer ampliar a pauta, afirmando que os chineses se propuseram a auxiliar o Brasil no aumento de exportações com maior valor agregado.

O Ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes (terceiro, à direita) anunciou que estaria sendo estudado acordo de livre comércio entre Brasil e China, mas nenhum detalhamento sobre o tema foi divulgado, e não houve menção ao tema na declaração à imprensa

A China tem mantido este discurso de um país que também compra e que procura auxiliar os parceiros. No primeiro encontro conjunto entre os cinco líderes em Brasília, no encerramento do BRICS Business Fórum, que teve organização da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Xi reforçou que a China quer ampliar a abertura de sua economia e que, num mundo em transformações, é preciso evitar protecionismo e se ater ao multilateralismo. Vladimir Putin seguiu nesta mesma linha. Num BRICS que tem inovação e economia digital como temas centrais, foi interessante ouvir do líder russo que é preciso esforços conjuntos destes países para que se evitem ações de hackers e pirataria. Claro que o tema é central, mas curiosamente um dos países mais criticados por suas atuação internética foi o único a tocar no tema durante o encontro.

(Brasília – DF, 13/11/2019) Palavras do Presidente da República Popular da China, Xi Jinping.\nFoto: Marcos Corrêa/PR

Para além do multilateralismo e a abertura de sua economia, Xi Jinping focou em inovação como propulsor de desenvolvimento e disse que o tema, ao lado da economia digital e da economia verde estão entre as prioridades chinesas na atuação entre os BRICS. Para o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, o foco principal foi centrado na busca de atração de investimentos, em um país que precisa de apoio para a infraestrutura e que, segundo ele, quer chegar ao patamar de economia de US$ 2,5 trilhões em 2030.

(Brasília – DF, 13/11/2019) Encontro com o Primeiro-Ministro da República da Índia, Norenda Modi. Foto: Alan Santos/PR

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, também focou no tamanho de sua economia, que projeta chegar a US$ 5 trilhões já em 2024. Chamou a atenção o fato de Modi ter agradecido ao governo brasileiro a concessão de viagens ao Brasil sem visto. Ele havia também participado de uma bilateral com Bolsonaro mais cedo, mas nenhum anúncio oficial sobre a medida foi divulgado – na China, em outubro, o brasileiro anunciou a oferta aos chineses, ainda sem validade e concedida sem reciprocidade. No discurso de encerramento, o mais breve entre os líderes e em que Bolsonaro afirmou em mais de uma ocasião que o Brasil oferece muitas oportunidades aos seus parceiros, o presidente voltou a falar na isenção dos vistos a “”homens que queiram vir ao Brasil fazer turismo ou negócios”.

ÂMBITO EMPRESARIAL SINO-BRASILEIRO


Na foto, Blair Thomas, Presidente do Conselho da Prumo Logística S.A. e Presidente do EIG Global Energy Partners, Lisa Davis, Membro do Conselho da Siemens AG e Presidente da Siemens Energy e Qian Zhimin, Presidente do Conselho da SPIC (State Power Investment Company)

No âmbito empresarial Das relações entre China e Brasil, a semana foi frutífera. A China liberou novas plantas brasileiras para vendas de carnes, pleito antigo dos brasileiros, num processo que exige diferentes etapas para habilitação das unidades – tendo em vista cuidados com vigilância sanitária, especialmente.

Outro exemplo foi a assinatura de memorando de entendimento entre a State Power Investment Corporation (SPIC Brasil), o grupo Prumo, controlado pelo EIG Global Energy Partners, e a Siemens AG, sobre projetos de energia no Brasil. Prumo e Siemens já são sócias na Gás Natural Açu (GNA), joint venture da qual também a BP é sócia.

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