China prioriza estabilização em 2020

*Texto em atualização

A China anunciou que em 2020 não há meta de PIB a ser cumprida – pelo menos não uma meta numérica. A indicação na esteira da crise do coronavírus já era esperada e veio durante a apresentação do relatório de trabalho do governo chinês lido pelo primeiro-ministro, Li Keqiang, na abertura da Assembleia Nacional Popular (ANP). O evento, junto à reunião do Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), compõe as Duas Sessões, central na política chinesa todos os anos porque define metas socio-econômicas para o país e aprova novas leis ou mudanças na legislação. Em 2020, claro, a crise provocada pelo coronavírus é central, tanto que adiou as Duas Sessões por cerca de dois meses. Os encontros deveriam ter ocorrido em março, logo após o Ano Novo chinês (neste ano, celebrado em 25 de janeiro, dois dias depois de o país ter decretado quarentena em diversas regiões).

A novidade em relação ao PIB veio, segundo o relatório, devido a incertezas na economia dentro e fora de casa. O texto não cita, mas o tombo no primeiro trimestre havia sido de 6,8% do PIB. Mesmo sem esta meta numérica, há dados palpáveis para o que o governo pretende em 2020: quer manter o desemprego em, no máximo, 6%, prometendo alocar 53,9 bilhões de yuans (US$ 7,6 bilhões) em subsídios para o mercado de trabalho. A China quer criar 9 milhões de postos de trabalho até dezembro, período em que também quer erradicar a pobreza nas áreas rurais – um esforço que significa tirar quase 6 milhões de pessoas da miséria.

O conjunto de medidas vem estruturado sob um plano de trabalho bem ao gosto chinês, que esquematiza seus programas de governo e bases de planejamento em setores que costuma hierarquizar e numerar. Desta vez, é um esquema 6+6: há seis grandes frentes prioritárias, que orientam seis áreas de atuação primordial.

As seis frentes referem-se a emprego, setor financeiro, comércio exterior, investimento estrangeiro, investimento nacional e expectativas de mercado. As seis áreas chave são emprego, subsistência das pessoas, desenvolvimento de entidades de mercado, segurança de alimentos e de energia, operação estável das cadeias industrial e de suprimentos, bem como bom funcionamento de governos em nível primário.

A China quer, ante tanta incerteza, priorizar a estabilização do emprego e a garantia de padrões de vida. Todo esse arranjo precisa caber em déficit fiscal acima de 3,6% do PIB, resultando em um aumento do déficit de um trilhão de yuans (US$ 141 bilhões) em relação ao ano passado. Há também a promessao de emissão de 1 trilhão de yuans em títulos governamentais para o controle da COVID-19.

Para injetar vigor no setor produtivo, o país cortará ainda mais impostos e taxas com o objetivo de reduzir a carga empresarial em mais de 2,5 trilhões de yuans, intensificando ao mesmo tempo o apoio financeiro para estabilizar as operações comerciais.

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