Relações sino-brasileiras são uma política de Estado e devem ser ampliadas

Brasil e China estabeleceram suas relações diplomáticas em 1974, em 15 de agosto, data que desde este ano foi inserida no calendário nacional brasileiro como o Dia da Imigração Chinesa no Brasil, o que demonstra a importância que o governo brasileiro dá à amizade com a China. É um passo cultural e simbólico desta relação, que tem base ainda numa frutífera cooperação comercial que pode ser destacada no comércio bilateral e no fluxo de investimentos chineses ao Brasil, que se intensificaram na última década.

A China é o principal parceiro comercial brasileiro desde 2009. No ano passado, a balança comercial representou mais de US $ 74,8 bilhões, com superávit para o Brasil. O país latino-americano também é destino do Investimento Estrangeiro Direto Chinês, movimento que vem crescendo desde 2010. Segundo o governo nacional, desde 2007 a China investiu mais de US $ 53 bilhões no Brasil em diferentes setores, desde infraestrutura até economia digital – incluindo o aplicativo de transporte 99, que foi adquirido pela chinesa DiDi, e uma empresa FinTech (5% do Nubank pertence agora à gigante de tecnologia chinesa Tencent. No setor de infraestrutura, a State Grid, por exemplo, trouxe para o Brasil sua própria tecnologia para linha de transmissão de ultra-alta tensão, com capacidade de transmitir 800kv de energia em um sistema que totalizará mais de 4 mil quilômetros até 2019.

Diante das recentes eleições de Jair Bolsonaro como o próximo presidente brasileiro, cujo mandato começará em 1º de janeiro, há o temor de que a relação com a China seja prejudicada ou deixada em segundo plano. Oficialmente, o governo recém-eleito manteve silêncio em relação à sua futura política em relação à China. No início deste ano, um ato de Bolsonaro chamou a atenção. Ele visitou as autoridades de Taiwan, um movimento que não foi bem recebido pela China, pois o Brasil não reconhece Taiwan como um país. Naquela época, poderia ter sido uma má interpretação do cenário global. Agora, a expectativa é que seus assessores tenham um papel fundamental em apontar a importância das relações sino-brasileiras. É uma questão de esperar pelo novo governo.

Enquanto espera-se pelo novo ano e possíveis desdobramentos na política internacional – e no posicionamento do Brasil ante a China -, acadêmicos, jornalistas, advogados, diplomatas e outros profissionais brasileiros, no âmbito da Rede Brasileira de Estudos sobre a China (RBChina), ressaltam a importância das relações sino-brasileiras como política de Estado, não como uma política do governo. Especialistas que estão familiarizados com o desenvolvimento das relações sino-brasileiras apoiam o aprimoramento dessa relação, o que inclui até mesmo o desenvolvimento de mais pesquisas sobre os dois países e seus laços. Em uma reunião na semana que antecedeu as eleições brasileiras, o grupo assinou um documento pedindo para manter e melhorar esses laços.

O Brasil nos últimos anos sempre buscou ampliar suas exportações para a China – não apenas em volume ou preço, mas principalmente na venda de produtos com maior valor agregado. Essencialmente, as exportações brasileiras para a China estão concentradas em soja, petróleo e minério de ferro. Os próximos dias são cruciais para esse objetivo. O Brasil é um dos convidados de honra da China International Import Expo (CIIE), que será realizada em Xangai de 5 a 10 de novembro. Em um esforço do atual governo, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) está trazendo para a China 80 empresas – 60% delas no setor de alimentos e bebidas. A associação industrial mais influente do Brasil, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), lidera uma delegação com 70 empresas, totalizando 120 empreendedores. Muitos deles estão buscando alternativas para entrar no mercado chinês, explorando até mesmo os canais de comércio eletrônico que a China está desenvolvendo. É apenas outro exemplo de que há um plano para fortalecer os laços entre o Brasil e a China, mesmo do lado oficial, mas fortemente do setor privado.

No próximo ano, o Brasil também sediará a Cúpula dos BRICS, uma reunião presidencial que encerra um ano de intensas discussões ministeriais e também abre espaço para discussões bilaterais entre os participantes. Na academia, no setor de pesquisa e desenvolvimento e tecnologia e até na área empreendedora, há atividades normalmente organizadas pelo país anfitrião e suas instituições. O Brasil também inaugurará seu escritório de representação no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), um banco que une todos os países do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Importante ressaltar que o MOU que criou o banco foi assinado durante a Cúpula BRICS de 2014, também no Brasil.

Enfrentar todos esses cenários é hora de melhorar as empresas, intercâmbios, pesquisas e laços políticos sino-brasileiros. Os profissionais e instituições acadêmicos, econômicos, de comércio exterior e investimento estão todos se pavimentando dessa maneira.

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